“Movimento estudantil”. Muito se diz sobre isso, de sua importância histórica e de suas conquistas no passado. Mas no nosso tempo, como se organiza e quais são suas práticas? Nós temos um movimento estudantil distante da vida cotidiana da maioria dos estudantes, afastado das pautas reais dos grupos estudantis, completamente tomado por grupos com interesses políticos e partidários. Não somos contra partidos políticos nem contra o envolvimento de filiados. Porém acreditamos que as organizações estudantis não devem servir de instrumentos para que uma única voz seja ouvida. Apostamos na pluralidade, na diversidade de opiniões, acreditamos no dissenso como um caminho novo para o ME. Nos dias de hoje, a juventude se organiza em diversos locais. Em grupos de teatro, ONGs, empresas juniores, grupos de extensão… E é nesse contexto que um centro acadêmico dinâmico e pluralista deve atuar. E o nosso CA hoje é o oposto disso. Burocrático, afastado da realidade, comandado por um grupo político que apenas impõe suas pautas, ignora as necessidades do curso e de seus estudantes, não promove atividades culturais e nem festas, haja vista que a maioria das festas deste ano foram promovidas pela comissão de formatura!
Propomos um centro acadêmico que integre todas as manifestações estudantis, que atue junto aos estudantes, que construa uma nova prática de movimento estudantil da e na Letras. Um CA que promova reuniões abertas semanais, que preste contas de seus gastos e de seus atos, que não decida algo e depois busque um referendo dos estudantes. Não queremos mais um CA de assembléias esvaziadas e manipuladas, queremos um CA que discuta a reforma da grade curricular, queremos um CA que promova discussões sobre o papel do bacharel de letras na sociedade, um CA que pense política sim! Mas não uma política viciada, que lute pelas pautas e necessidades dos estudantes da Letras e que estas sejam forjadas por todos nós.
Achamos de fundamental importância que reuniões abertas sejam ato cotidiano na Letras, porque isso possibilita que o estudante possa incidir nas pautas da entidade. Outro ponto fundamental é que a entidade seja um espaço democrático, onde qualquer opinião possa ser dita, um espaço em que a minoria seja ouvida e levada em consideração, um espaço sem coação ou constrangimentos. E para isso uma comunicação eficiente é necessária. O maior curso da USP não possui uma única ferramenta de comunicação estudantil: não temos um site, um blogue, um jornal… nem mesmo os murais são organizados!
Outra questão importantíssima para um CA atuante é a questão da REPRESENTAÇÃO DISCENTE. Ficamos anos sem RDs (representantes discentes) nos departamentos e demais colegiados da Letras e isso nos custou muito caro. O debate sobre a Reforma Curricular já ocorria há cerca de dois anos na Letras, mas sem a participação nem de RDs nem do CA. Defendemos que o CA promova articulações entre os Rds e fomente a divulgação das pautas e discussões que ocorrem nas reuniões.
Nos voltar para o curso, seus problemas e questões não nos tornará alienados ou ignorantes sobre questões externas. As deficiências da educação pública e privada (futuro local de trabalho de muitos de nós), a falta de investimento do Estado no desenvolvimento da educação e o acesso à Universidade que – a despeito de tímidas mudanças nas universidades federais, com políticas de inclusão – ainda é restrito a uma minoria que pode pagar caros cursinhos e escolas. Discutir acesso e permanência, formas de melhorar a qualidade de vida do estudante que chega ao curso com pouco amparo também é função do centro acadêmico.
E também não podemos acreditar que vivemos em uma ilha. No entorno da cidade universitária vemos o quão ausente o Estado é nas necessidades mais básicas de uma população carente. E o CA da Letras pode, fomentando a criação de projetos de extensão para levar nosso conhecimento técnico às escolas da região, por exemplo. O atual CA, a despeito do discurso que faz, não usa dos instrumentos disponíveis para aumentar a interação da Letras com aqueles que pagam nossos estudos. O caso mais vísivel é o LEAL (Letras alfabetizando), que apesar de ter sempre quem queira participar, não consegue manter um programa contínuo de existência, sempre dependendo do voluntarismo de uns poucos abnegados.
Como diz a música daquele grupo de rock, ‘a gente não quer só comida’. Quer bebida e arte. E isso também nos falta na Letras. O mínimo dos mínimos das tarefas de um CA é a promoção continuada de festas e eventos de integração na Letras. Por isso institucionalizaremos a “De mão Brejada”, festa promovida em 2007, de grande sucesso, que contou com a participação da Rateria da Poli animando o povo. Também é função do CA o estímulo à participação artística dos estudantes, seja através de publicações, como revistas e coletâneas, seja através de um maior diálogo com quem faz arte e cultura fora da universidade. Há inúmeras atividades, festas e feiras culturais acontecendo na cidade, e o maior curso de estudos de literatura do país não participa deste imenso diálogo, a despeito das tentativas de consolidação da revista Áporo, que nos comprometemos a manter com independência editorial e auxílio do CA para sua publicação e distribuição.
Enfim, neste manifesto expomos nossa visão de qual CA queremos. O Centro Acadêmico de Estudos Línguisticos e Literários Oswald de Andrade não pode continuar neste estado atual de letargia e aparelhamento por um grupo político que não se importa com o que pensa o estudante da letras. Venha construir conosco este novo CA!
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